Aí, deu-se que ontem eu estava assistindo a um documentário sobre João Cabral de Melo que abordava sua relação com a Espanha. Com Sevilha. Um cheiro de taco subiu pela sala e eu fiquei vermelho. Via por causa do poeta ou era Sevilha que prendia meus olhos dormentes pelo domingo que ia? Mas era possível separar João Cabral de Melo Neto de Sevilha?
Enchemos a boca para adjetivá-lo pernambucano, com os orgulhos que prezamos desde nossa gênese, mas João Cabral de Melo Neto não era pernambucano. Era de Sevilha.
De Sevilha porque não somos de onde nascemos, somos (pertença) de onde somos (existência). De onde nos descobrimos. Há uma pátria oculta em nós, que se aparta - tanta vezes - da nossa geografia e que irrompe quando a inexatidão do solo se equaliza em uma viagem e aí dizemos: é aqui que eu sou.
Eu sou de Recife. E já estive em tantos lugares. Mas em qualquer lugar do Mundo, eu trajo esse mar de mortes e esse povo mambembe que come caju. Acontece que minha pátria oculta coincide com a geografia plantada sob meus pés, para o bem ou para o mal.
Mas do documentário, deixai que o diga: a parte que me fez rir à beça é essa. Quando João Cabral - em depoimento - rememoria um acontecido na casa do embaixador na Suíça, quando do auge da Bossa Nova. O amigo Vinícius de Moraes cantava baixinhos coisas lindas: "o coração, o coração, ah, o coração..." E João Cabral lá do fundo: "Vinícius, você não tem outra víscera para cantar não? Se não for de amor tu não sabes né?..."Para gargalhada geral, inclusive a minha.
E aí entra a filha de João Cabral lembrando do que o pai dizia: "minha filha, devemos fazer poemas sobre o copo d´água". Ofício difícil esse. Belo documentário.
POEMA DE COISA POUCA
Um copo d´água:
paz da carne que suor transpira
sossego da saliva
que irmanada nas líquidas víceras da coisa translúcida
adentra infinita na seca da boca
e renova a vida
segunda-feira, dezembro 04, 2006
terça-feira, novembro 21, 2006
O Homem Casado
Quando eu era pequeno, habitava em mim um Deus grande
E eu pedia ao Deus grande, grandes coisas:
Aeroplanos, eternidades, consolo quase sempre para as coisas inconsoláveis
Diamantes incrustados nas coisas que eu fazia e farei
Mas eu cresci, e esse Deus foi ficando pequenininho
Deus de coisas pequenas
Nem notei esse fato e pedi a ele a solução de todas as coisas
E Deus respondeu:
- De que lhe adianta a resolução de todas as coisas se tua sala não tem sofá?
Bendito seja o Senhor que se me fez pequenininho
E eu pedia ao Deus grande, grandes coisas:
Aeroplanos, eternidades, consolo quase sempre para as coisas inconsoláveis
Diamantes incrustados nas coisas que eu fazia e farei
Mas eu cresci, e esse Deus foi ficando pequenininho
Deus de coisas pequenas
Nem notei esse fato e pedi a ele a solução de todas as coisas
E Deus respondeu:
- De que lhe adianta a resolução de todas as coisas se tua sala não tem sofá?
Bendito seja o Senhor que se me fez pequenininho
quarta-feira, outubro 18, 2006
Cartola
Entre a carne e a cruz (onde mora a dor)
Onde o meu samba fez morada
E a semente nunca vira flor
Nesse grande mar, solitário e vão
Fico porta-voz da alvorada
E cubro o verde-e- rosa do meu chão
A noite quando me vem é madrugada
E o mundo já se vai dentro de mim
É o samba quem me mostra
A flor a ser exposta
Na valsa da solidão de quem diz sim
Entre a carne e a cruz (onde mora a dor)
Onde o meu samba fez morada
E a semente nunca vira flor
Nesse grande mar, solitário e vão
Fico porta-voz da alvorada
E cubro o verde-e- rosa do meu chão
A noite quando me vem é madrugada
E o mundo já se vai dentro de mim
É o samba quem me mostra
A flor a ser exposta
Na valsa da solidão de quem diz sim
quinta-feira, outubro 05, 2006
Quadrinha dos que dizem sim
(Alfama e Mouraria)
Senhor capitão, dá-me vinte cortes de vida
Para eu armar meu festim
Que tenha sangue e ojeriza, que tenha branco e carmim
Senhor capitão, dá-me trinta onças de sonhos
Para eu lançar pela pia
Entre as sobras da janta, que era o que em mim havia
Senhor capitão, dá-me cinqüenta dias de vênias
Ou mais de um mês de amor
Que alguém me disse que tinhas, bons remédios contra rancor
Senhor capitão, dá-me quarenta léguas de caminho
Para eu continuar a sorrir
Ainda que eu tenha que caminhar sozinho, que me leve aonde preciso ir
(Alfama e Mouraria)
Senhor capitão, dá-me vinte cortes de vida
Para eu armar meu festim
Que tenha sangue e ojeriza, que tenha branco e carmim
Senhor capitão, dá-me trinta onças de sonhos
Para eu lançar pela pia
Entre as sobras da janta, que era o que em mim havia
Senhor capitão, dá-me cinqüenta dias de vênias
Ou mais de um mês de amor
Que alguém me disse que tinhas, bons remédios contra rancor
Senhor capitão, dá-me quarenta léguas de caminho
Para eu continuar a sorrir
Ainda que eu tenha que caminhar sozinho, que me leve aonde preciso ir
segunda-feira, outubro 02, 2006
RAQUEL
Procurei-te no útero dividido de nossa mãe
No berço nosso que eu quebrei por ver você em meu futuro
Procurei-te em meus braços que sustentaram a nós dois em meio a dezembros
Na interpretação do Outubro, na interpretação da Libra
procurei nas nossas viagens, onde dividimos a surpresa da imensidão desse Mundo
E nos meus choros que curaste na crueza da verdade do nosso sangue
Procurei e não encontrei.
A festa havia acabado. A tua cama estava fria.
Os nossos pais estavam velhos.
Pisei os lírios e os cacos de vidro
Gritei teu nome e percebi como teu nome é forte
Nem no passado, nem no presente, nem na coisa por fazer
Estava só em meio aos padrões dos nossos genes.
Mas a tua ausência chamou meu nome
E eu fechei meus olhos para ouvir tua voz
Porque a liberdade transporta a carne nossa
Abro a porta do guarda-roupa e te acho sorrindo
Escondida no infinito de dentro de mim
No berço nosso que eu quebrei por ver você em meu futuro
Procurei-te em meus braços que sustentaram a nós dois em meio a dezembros
Na interpretação do Outubro, na interpretação da Libra
procurei nas nossas viagens, onde dividimos a surpresa da imensidão desse Mundo
E nos meus choros que curaste na crueza da verdade do nosso sangue
Procurei e não encontrei.
A festa havia acabado. A tua cama estava fria.
Os nossos pais estavam velhos.
Pisei os lírios e os cacos de vidro
Gritei teu nome e percebi como teu nome é forte
Nem no passado, nem no presente, nem na coisa por fazer
Estava só em meio aos padrões dos nossos genes.
Mas a tua ausência chamou meu nome
E eu fechei meus olhos para ouvir tua voz
Porque a liberdade transporta a carne nossa
Abro a porta do guarda-roupa e te acho sorrindo
Escondida no infinito de dentro de mim
quarta-feira, setembro 20, 2006
Versus André
A lembrança do tempo é o próprio tempo
como a lembrança da noite será a própria noite
eu rezo então às estrelas
Estrelas de um outro céu, de uma outra noite
De algo que me perturba como um sussurro vindo de mim mesmo
Vindo do tempo que só muda dentro de mim
deste ser interpretado que eu me tornei
Estrelas de outro céu, que podem me dizer?
Que há um conforto em um grito que ousei proferir
E que hoje é eco
(ou seremos sempre o eco daquilo que sequer pode existir?)
Mãos das estrelas, acariciam o meu corpo
(acariciam o meu corpo em suspensão)
Aos poucos vou me tornando uma memória, uma lembrança,
lembrança de que aqui existia irresignação
A lembrança do homem é o próprio homem?
Poderá se ouvir a amplidão daquela voz?
Por onde anda você, anjo, sangue e presença;
por onde anda você, estrela tão veloz?
A lembrança do fogo é a sombra que me aquece nesse dia
Nesse Mundo de lembranças em que meu Mundo se verteu
Eu canto esse poema, para que meus olhos continuem abertos
E eu durma acordado em uma outra noite
que na lembrança de mim mesmo se encantou e se perdeu
como a lembrança da noite será a própria noite
eu rezo então às estrelas
Estrelas de um outro céu, de uma outra noite
De algo que me perturba como um sussurro vindo de mim mesmo
Vindo do tempo que só muda dentro de mim
deste ser interpretado que eu me tornei
Estrelas de outro céu, que podem me dizer?
Que há um conforto em um grito que ousei proferir
E que hoje é eco
(ou seremos sempre o eco daquilo que sequer pode existir?)
Mãos das estrelas, acariciam o meu corpo
(acariciam o meu corpo em suspensão)
Aos poucos vou me tornando uma memória, uma lembrança,
lembrança de que aqui existia irresignação
A lembrança do homem é o próprio homem?
Poderá se ouvir a amplidão daquela voz?
Por onde anda você, anjo, sangue e presença;
por onde anda você, estrela tão veloz?
A lembrança do fogo é a sombra que me aquece nesse dia
Nesse Mundo de lembranças em que meu Mundo se verteu
Eu canto esse poema, para que meus olhos continuem abertos
E eu durma acordado em uma outra noite
que na lembrança de mim mesmo se encantou e se perdeu
segunda-feira, setembro 18, 2006
Balada para Eólio de Mileto
Porque assim como acontece com as lagartas
a morte chega aos jovens em forma de asas
a morte chega aos jovens em forma de asas
quarta-feira, setembro 13, 2006
Balada de Jonh Ashtray
Tenho medo de grandes amores
de baratas voadoras, de pessoas de circo
Tenho medo de bocas de lobo
do que se esconde infinito por debaixo da cama
tenho medo de luz apagada, mas não do escuro
de areia movediça ainda que só no filme
tenho medo de ir e nunca voltar
como Jonh Ashtray
que seguiu sempre reto na Avenida Boa Viagem
e sumiu para muito longe, para além do próprio medo
de baratas voadoras, de pessoas de circo
Tenho medo de bocas de lobo
do que se esconde infinito por debaixo da cama
tenho medo de luz apagada, mas não do escuro
de areia movediça ainda que só no filme
tenho medo de ir e nunca voltar
como Jonh Ashtray
que seguiu sempre reto na Avenida Boa Viagem
e sumiu para muito longe, para além do próprio medo
terça-feira, agosto 29, 2006
barroco
Estar vivo é não se alhear à exposição das instituições em crise
dar-se conta que as mãos envelhecem e que não fizeram a obra esperada
restituir o que foi roubado do sótão de si mesmo ao longo da infância
comer, beber e não se dar por satisfeito
errar seu erro, mas o seu, não de outro, mas o intransferível, pessoal e inequívoco erro
ter na carne o vislumbre da eternidade, como em Cristo (que se come e se bebe e nisso se eterniza)
Estar vivo e perder a medida do tempo enquanto o tempo se esvai
errar seu erro - já falei isso?
dar a cada um um doze avos da sua transitoriedade
esquecer mais do que lembrar que nisso reside a morte
e morrer como certeza de que se está vivo
dar-se conta que as mãos envelhecem e que não fizeram a obra esperada
restituir o que foi roubado do sótão de si mesmo ao longo da infância
comer, beber e não se dar por satisfeito
errar seu erro, mas o seu, não de outro, mas o intransferível, pessoal e inequívoco erro
ter na carne o vislumbre da eternidade, como em Cristo (que se come e se bebe e nisso se eterniza)
Estar vivo e perder a medida do tempo enquanto o tempo se esvai
errar seu erro - já falei isso?
dar a cada um um doze avos da sua transitoriedade
esquecer mais do que lembrar que nisso reside a morte
e morrer como certeza de que se está vivo
segunda-feira, julho 31, 2006
Momento Roberto Carvalho
O texto é do site do cara:
"Irreverente, jovem e com presença de palco poucas vezes encontrada no mundo do forró, Josildo Sá é um dos maiores destaques da atual música pernambucana. É um artista diferenciado, que une modernidade e tradição, atitude da capital às raízes sertanejas. Quando compõe, as letras e a melodia falam dos amores, da infância e do sertão farto e cheio de festas. Mas quando está no palco Josildo tem atitudes de rockeiro, dançando, mechendo, pulando, talvez pela grande admiração que tem por Cazuza e Chico Science, influenciadores de sua performance. Prova da versatilidade e criatividade de Josildo é o projeto Samba de Latada que relizou três shows no Carnaval Multicultural do Recife e em Olinda (foto acima a direita), em parceria com o Mestre Arlindo dos Oito Baixos e do Maestro e Clarinetista Paulo Moura. Tamanha foi a adesão dos músicos e a aceitação da imprensa pernambucana que o forrozeiro prepara para lançar em 2006 o CD Samba de Latada, em parceria com o Maestro, tendo o mestre como convidado."
Agora, irreverência mesmo é esse sujeito comendo bode e 'mangando' da cara dos pobres poetas. Prazer inenarrável, tanto do bode (preparado por Glívio), quanto do sarro.
Abraços, Josildo
"Irreverente, jovem e com presença de palco poucas vezes encontrada no mundo do forró, Josildo Sá é um dos maiores destaques da atual música pernambucana. É um artista diferenciado, que une modernidade e tradição, atitude da capital às raízes sertanejas. Quando compõe, as letras e a melodia falam dos amores, da infância e do sertão farto e cheio de festas. Mas quando está no palco Josildo tem atitudes de rockeiro, dançando, mechendo, pulando, talvez pela grande admiração que tem por Cazuza e Chico Science, influenciadores de sua performance. Prova da versatilidade e criatividade de Josildo é o projeto Samba de Latada que relizou três shows no Carnaval Multicultural do Recife e em Olinda (foto acima a direita), em parceria com o Mestre Arlindo dos Oito Baixos e do Maestro e Clarinetista Paulo Moura. Tamanha foi a adesão dos músicos e a aceitação da imprensa pernambucana que o forrozeiro prepara para lançar em 2006 o CD Samba de Latada, em parceria com o Maestro, tendo o mestre como convidado."
Agora, irreverência mesmo é esse sujeito comendo bode e 'mangando' da cara dos pobres poetas. Prazer inenarrável, tanto do bode (preparado por Glívio), quanto do sarro.
Abraços, Josildo
quinta-feira, julho 13, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
Alô Glívio, alô Josildo
Há uma linguagem que só se fala à beira de coisas boas. Essa linguagem de quando em vez se perde no meio do trânsito, dos bancários, do noticiário na televisão. E aí, quando estamos na ressaca de uma copa que nunca foi o que poderia ter sido, somos surpreendidos pela palavra falada no telefone, relembrando a linguagem que nos remete às coisas boas.
A grande vingança é ser feliz, amigo Glívio. E a felicidade é como a pluma soprada na mesa enquanto se bebe um bom vinho e se enche a barriga (bucho, diria Josildo) de coisas circunstanciais. Que quem precisa de eternidade é padre. A gente precisa é de uma boa câmera prá registrar nossos sorrisos enquanto ainda temos olhos prá ver. E nisso me comprazo. Obrigado por não desistir do nosso reencontro. Que venham outros domingos humanos de alegria que os anjos não conseguem compreender. Só o jazz.
Josildo, foi um prazer conhecer você e ouvir seu CD com Paulo Moura em primeira mão. Pode acreditar que aquela parceria está de pé. Forte abraço sertanejo daqui das terras do centro.
A grande vingança é ser feliz, amigo Glívio. E a felicidade é como a pluma soprada na mesa enquanto se bebe um bom vinho e se enche a barriga (bucho, diria Josildo) de coisas circunstanciais. Que quem precisa de eternidade é padre. A gente precisa é de uma boa câmera prá registrar nossos sorrisos enquanto ainda temos olhos prá ver. E nisso me comprazo. Obrigado por não desistir do nosso reencontro. Que venham outros domingos humanos de alegria que os anjos não conseguem compreender. Só o jazz.
Josildo, foi um prazer conhecer você e ouvir seu CD com Paulo Moura em primeira mão. Pode acreditar que aquela parceria está de pé. Forte abraço sertanejo daqui das terras do centro.
quarta-feira, maio 03, 2006
quarta-feira, abril 12, 2006
sexta-feira, março 31, 2006
Volta
Volta prá cama, mulher
A estrela que era de sonho, fez-se vida e se quebrou
é melhor mentir na cama, é melhor mentir no amor
que minha cama é tua amiga, sabes onde ela vai dar
e as mentiras do meu samba nunca vão te enganar
Volta prá cama, mulher
Mais vale o amor bem feito, do que o dia a se viver
na certeza do meu leito você não vai se perder
pois o mundo é um labirinto de convites tão gentis
para ver a flor do asfalto vender a sua raiz
Volta prá cama, mulher
Hoje o mundo acorda cedo para beber da confusão
eu te ofereço o meu degredo no prazer da contra-mão
de acordar entre os meus sambas, vendo o dia se acabar
transpirando amor e medo e vento e noite e samba e mar
A estrela que era de sonho, fez-se vida e se quebrou
é melhor mentir na cama, é melhor mentir no amor
que minha cama é tua amiga, sabes onde ela vai dar
e as mentiras do meu samba nunca vão te enganar
Volta prá cama, mulher
Mais vale o amor bem feito, do que o dia a se viver
na certeza do meu leito você não vai se perder
pois o mundo é um labirinto de convites tão gentis
para ver a flor do asfalto vender a sua raiz
Volta prá cama, mulher
Hoje o mundo acorda cedo para beber da confusão
eu te ofereço o meu degredo no prazer da contra-mão
de acordar entre os meus sambas, vendo o dia se acabar
transpirando amor e medo e vento e noite e samba e mar
segunda-feira, março 13, 2006
Parabéns
A duas pessoas:
Em primeiro lugar à Maria de Fátima, pelos dois anos ao meu lado. Essa aqui é a minha cara da moeda - e ainda que a data pertença a nós dois - vou comemorá-la louvando você. Parabéns, meu amor:
"Tanto amor que há entre dois que em dois não cabe
Não cabe no mar, nas circunstâncias da terra, no clamor do soldado ferido
Não cabe em três, em mil, em número que só existe para as crianças
Não cabe no passado, no futuro, no presente, na cena final de 2001
Não cabe na carne, no espírito, no prazer do fim do dia que situa além dos dois
Não cabe na música, na pintura, na escultura, no entalhe que eu fiz quando criança
Não cabe no leite queimado, no sangue estancado, no café frio
Tanto amor que há entre dois que em nós não cabe
Não cabe no exagero, não cabe no poema..."
Em segundo lugar, a Rodrigo a quem devo tantas circunstâncias que ainda me acompanham pela vida afora. Vou lembrar dos primeiros versos de 'Tempo", uma música do "Deus e o Diabo na Terra do Som" (lembra?) que já era dedicada a você. Feliz aniversário, meu velho. Bem-vindo ao Cabo da (sempre) Boa-Esperança:
"Quando o tempo vem, não importa bem
que o pronome submeta minha voz" - (só me lembro disso :) )
Em primeiro lugar à Maria de Fátima, pelos dois anos ao meu lado. Essa aqui é a minha cara da moeda - e ainda que a data pertença a nós dois - vou comemorá-la louvando você. Parabéns, meu amor:
"Tanto amor que há entre dois que em dois não cabe
Não cabe no mar, nas circunstâncias da terra, no clamor do soldado ferido
Não cabe em três, em mil, em número que só existe para as crianças
Não cabe no passado, no futuro, no presente, na cena final de 2001
Não cabe na carne, no espírito, no prazer do fim do dia que situa além dos dois
Não cabe na música, na pintura, na escultura, no entalhe que eu fiz quando criança
Não cabe no leite queimado, no sangue estancado, no café frio
Tanto amor que há entre dois que em nós não cabe
Não cabe no exagero, não cabe no poema..."
Em segundo lugar, a Rodrigo a quem devo tantas circunstâncias que ainda me acompanham pela vida afora. Vou lembrar dos primeiros versos de 'Tempo", uma música do "Deus e o Diabo na Terra do Som" (lembra?) que já era dedicada a você. Feliz aniversário, meu velho. Bem-vindo ao Cabo da (sempre) Boa-Esperança:
"Quando o tempo vem, não importa bem
que o pronome submeta minha voz" - (só me lembro disso :) )
quinta-feira, março 02, 2006
Felicidade sim
Quarta, quinta, sexta e o resto do ano de cinzas. Até o próximo carnaval. Não vou falar nada porque ainda é recente a dor da terça-feira gorda que se despede cantando como faziam os fenícios. Saudade tão grande....
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