Quando me casei, pela segunda vez, minha ex-esposa escreveu o texto abaixo. Agora, minha ex-esposa está casada também. Encontrou o seu caminho, como eu encontrei o meu. E quão melhor o mundo seria, se fôssemos capazes de abrir nossos braços para o futuro sem os cotovelos do passado. Deve ter sido um casamento muito bonito, como são os espíritos de Aline e Edgar.
Gostaria de dizer palavras de brinde, como nos casamentos anglo-saxões. Mas as palavras de Aline, quando eu me casei, representam tudo o que eu gostaria de dizer, na mais verdadeira recíproca que pode haver entre um ex-casal:
"Fui hoje comprar um presente para o casamento de meu ex marido. Rodei a loja um tempão, tentando encontrar algo que, ao mesmo tempo, dissesse o quanto de alegria eu desejo para sua nova vida e o quanto lhe sou grata pelo seu apoio incondicional.André me ensinou que a amizade verdadeira (que é amor, no fim das contas), não precisa de um bando de coisas; só precisa de doação. Que erros podem ser reparados. Quer é possível perdoar, e, assim, curar dores terríveis. Que o rio da vida sempre continua.Nesse meu ano tão atribulado, André me deu ombro nos momentos mais difíceis. Quando me desesperei, ele mostrou que eu não precisava me sentir desamparada. Quando tive medo, ele me fez rir para espantar os demônios. Quando eu fui vítima de maledicência, ele me defendeu.Gosto de pensar que pouca gente no mundo consegue ter o que temos, depois de um divórcio. O respeito que construímos depois que nos refizemos. As "piadas internas" que mantemos. Fico muito feliz que ele tenha encontrado alguém como Fátima, que o faz enxergar o futuro sempre com olhos otimistas. E não digo isso pra parecer boazinha não, que eu nem carrego essa fama, nem dela preciso. Estou mesmo, genuinamente, feliz por ele ter encontrado seu caminho. Desejo aos dois toda a sorte que houver nessa vida. Encontrar um amor é muito difícil, e quando acontece... bem... quando acontece nunca mais a vida é a mesma.Acabei escolhendo um presentinho bobo, mas alegre. Tão alegre quanto desejo que a vida seja: para Fátima e André, para os bebês, e para mim também; por que não?"
segunda-feira, abril 27, 2009
sábado, abril 18, 2009
Maria´s song

Escuta, Maria, eu andei toda vida para te encontrar
Maria, Maria, duas linhas perfeitas não podem se tocar
E os meus sóis,
que se horizontam além de nós
brilharão sagrados
se tua noite antiga com eles se casar
Escuta Maria, pé no chão, fé na lida é que posso te dar
Maria, Maria, e o som da poesia que me trouxe pra cá
E quem de nós
poderá dizer que sós
seguiremos todos
se as nossas linhas querem se eninhar
Quando a noite nos chegar
Para a vida nos casar
Pé na reta e mira o mar
Maria....
Maria, Maria, duas linhas perfeitas não podem se tocar
E os meus sóis,
que se horizontam além de nós
brilharão sagrados
se tua noite antiga com eles se casar
Escuta Maria, pé no chão, fé na lida é que posso te dar
Maria, Maria, e o som da poesia que me trouxe pra cá
E quem de nós
poderá dizer que sós
seguiremos todos
se as nossas linhas querem se eninhar
Quando a noite nos chegar
Para a vida nos casar
Pé na reta e mira o mar
Maria....
quinta-feira, abril 09, 2009

Quantos nomes você terá?
Lê, Lelê, Amor, Meu Raio de Sol
Mas o que há em um nome?
Se o que interrompe a madrugada são seus olhos
Se o que deixa ansioso é não poder ser como o vento
e soprar nos seus ouvidos
Todo o amor que haverá por aqui afora
E nem sei se esse sopro será em Raquel ou em ti
porque ambas, imensas
são, sem nome, a extensão de mim
quarta-feira, março 11, 2009
ponto final
"Se viessem os ciganos
Com teu coração fariam
Anéis e colares brancos.
Oh, foge lua, lua, lua.
Quando vierem os ciganos,
Te acharão sobre a bigorna
Com teus olhinhos fechados.
Foge lua, lua, lua,
Que já sinto os seus cavalos
Deixa-me, filho, e não pises
O meu alvor engomado."
(tradução de Flaviola, sobre poema de Lorca, musicado pelo Flaviola, magistralmente gravado pro Amelinha, sentida por mim)
Com teu coração fariam
Anéis e colares brancos.
Oh, foge lua, lua, lua.
Quando vierem os ciganos,
Te acharão sobre a bigorna
Com teus olhinhos fechados.
Foge lua, lua, lua,
Que já sinto os seus cavalos
Deixa-me, filho, e não pises
O meu alvor engomado."
(tradução de Flaviola, sobre poema de Lorca, musicado pelo Flaviola, magistralmente gravado pro Amelinha, sentida por mim)
quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Haverá sempre uma quarta-feira a nos lembrar do final
que a felicidade não é desse mundo,
que essa cidade é um vale de sangue e de sombras
que a alegria é um pecado,
que o martírio é nossa bandeira
Mas o nosso peito que não se entrega à confissão
o nosso peito pagão
lançará confetes sobre nossas cabeças
no dia de se lavarem as cinzas
a esperança sagrada será substituída
pela terça-feira gorda
que será então a última a morrer
que a felicidade não é desse mundo,
que essa cidade é um vale de sangue e de sombras
que a alegria é um pecado,
que o martírio é nossa bandeira
Mas o nosso peito que não se entrega à confissão
o nosso peito pagão
lançará confetes sobre nossas cabeças
no dia de se lavarem as cinzas
a esperança sagrada será substituída
pela terça-feira gorda
que será então a última a morrer
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
sábado, fevereiro 14, 2009
O Bode Dourado
Cabeça Branca é o nome do sujeito. Só o dedo de prosa vale o calor da Encruzilhada. Mas o percurso não termina nas palavras, o Bode Dourado tem e merece a fama do melhor bode de Recife. Comer bode é uma arte para poucos. O sabor não agrada a todos. Mas a base do sertão vem ali, no prato, dourado como diz o nome. Acompanhado do pirão. Da vinagrete. Da farofa. O dourado do nome está na capa que protege a maciez da carne, dourada, resultado de algum tempo no forno depois de ter sido amaciada na cocção.
Quando servido, o bode é crocante, com o sabor característico preservado, seja no pernil, seja na costela. Os ossos se acumulam no prato, que mimetiza um cemitério dos prazeres passageiros, sem nos dizer "nós, que aqui estamos, por vós esperamos". Não, é antes um cemitério da boa lembrança, do gosto da carne minuciosamente preparada.
A simplicidade do lugar é inversamente proporcional a grandeza do preparo do bode. Esse animal que resiste às intepéries da vida, do solo seco, a palo duro, mas felizmente domado pela nossa fome, pois triste do bicho que o homem come.
(PS - Depois do bode, sugiro o licor de cana de açúcar de Triunfo, gelado, doce, perigosíssimo).
Abraços, Edvaldo, ó cabeça branca.
Bode Dourado
Rua Dr. José Maria, 217, lojas 09 e 10.
Encruzilhada
Recife
Quando servido, o bode é crocante, com o sabor característico preservado, seja no pernil, seja na costela. Os ossos se acumulam no prato, que mimetiza um cemitério dos prazeres passageiros, sem nos dizer "nós, que aqui estamos, por vós esperamos". Não, é antes um cemitério da boa lembrança, do gosto da carne minuciosamente preparada.
A simplicidade do lugar é inversamente proporcional a grandeza do preparo do bode. Esse animal que resiste às intepéries da vida, do solo seco, a palo duro, mas felizmente domado pela nossa fome, pois triste do bicho que o homem come.
(PS - Depois do bode, sugiro o licor de cana de açúcar de Triunfo, gelado, doce, perigosíssimo).
Abraços, Edvaldo, ó cabeça branca.
Bode Dourado
Rua Dr. José Maria, 217, lojas 09 e 10.
Encruzilhada
Recife
domingo, fevereiro 08, 2009
Gastronomia - daqui para frente
Desde que eu abri o blog tenho escrito várias poesias, publicado coisas alheias, tentado escrever na net, o que eu não escrevo em livros, papéis. Sempre guardei em mim um assunto que gostaria de falar porque me toca de maneira especial e mui profunda. A gastronomia da minha cidade. Mas a gastronomia acessível. Que me faz acreditar que a comida na mesa revela o tanto de gente e bicho que há em nós. Que eleva à alma até a carne, porque alma pela alma não tem gosto de nada, nem de hóstia.
Logicamente não vou publicar receitas. Não tenho competência para isso. O que eu quero é desvelar caminhos que acabei conhecendo, por tanto amar me perder entre os sabores. É uma forma de tornar esse blog mais útil também. Poesia não enche barriga de ninguém. (rimou).
Logicamente não vou publicar receitas. Não tenho competência para isso. O que eu quero é desvelar caminhos que acabei conhecendo, por tanto amar me perder entre os sabores. É uma forma de tornar esse blog mais útil também. Poesia não enche barriga de ninguém. (rimou).
Ainda sobre João do Morro
Ano passado, escrevi um artigo sobre João do Morro. Aliás, sobre a censura que queriam fazer às suas músicas. Até hoje esse artigo rende comentários. Ao tentar demonstra que o cadinho marginal (à margem do oficial) que dá origem às letras das músicas de João do Morro é o mesmo que foi nascedouro de tantos sambas (de Noel Rosa à Lamartine Babo) dei espaço a interpretações que levaram meu discurso para um caminho que eu não havia seguido: o da comparação do samba de Noel Rosa com o samba de João do Morro. De vero, nunca quis comparar coisa com outra, até porque, para mim, os critérios de definição do que é arte e do que vale como arte ainda não foram bem definidos. Gosto de ouvir Noel Rosa. Tenho curiosidade pela música do João.
Ontem, no Guaiamum Treloso, tive a oportunidade de escutar novamente João do Morro. A música dele é de uma precariedade gritante. "Balaiagem" (sic) tem uma melodia copiada de tantas outras que seguem uma sequência maior-menor-maior. A letra tem lacunas propositais decorrentes da falta de intimidade com a língua.
Mas a originalidade e a verdade da letra de João do Morro sempre me surpreendem. E não tem teoria musical que me tire o sorriso do rosto.
Ontem, no Guaiamum Treloso, tive a oportunidade de escutar novamente João do Morro. A música dele é de uma precariedade gritante. "Balaiagem" (sic) tem uma melodia copiada de tantas outras que seguem uma sequência maior-menor-maior. A letra tem lacunas propositais decorrentes da falta de intimidade com a língua.
Mas a originalidade e a verdade da letra de João do Morro sempre me surpreendem. E não tem teoria musical que me tire o sorriso do rosto.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
quarta-feira, dezembro 31, 2008
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Feliz Natal
O natal é meia banda de uma aspirina
para aliviar a enxaqueca crônica do mundo
tem as cores da coca-cola
e o gosto da neve que nunca vem.
Cristo não nasceu em dezembro
papai noel não existe e se existisse possivelmente estaria preso
acusado de pedofilia.
Mas só os sórdidos, os terrivelmente solitários
os loucos de todos os gêneros
e os intelectuais, imbecilmente intelectuais
ousam não sorrir mais leve
após tomar meia banda de aspirina
para aliviar a enxaqueca crônica do mundo
tem as cores da coca-cola
e o gosto da neve que nunca vem.
Cristo não nasceu em dezembro
papai noel não existe e se existisse possivelmente estaria preso
acusado de pedofilia.
Mas só os sórdidos, os terrivelmente solitários
os loucos de todos os gêneros
e os intelectuais, imbecilmente intelectuais
ousam não sorrir mais leve
após tomar meia banda de aspirina
terça-feira, dezembro 16, 2008
Deus há de me compensar
por esses dentes tortos
por causa das lentes na cara
por esse senso de norte
Deus há de me compensar
por causa da morte do gato
porque eu perdi o meu ônibus
pelas mãos que evitam o tesouro
Deus há de me compensar
porque eu choro e eu sonho
pelas horas em que um mudo espanto
transborda da minha face em silêncio
e eu sigo conformado com os pássaros
Deus há de me compensar
ainda que eu faça o diabo
ainda que o mundo arrebente
em tanto rebanho de gente e de medo
Deus há de me confortar
eu cobro com multa e com juros
o preço de não ser ateu
por esses dentes tortos
por causa das lentes na cara
por esse senso de norte
Deus há de me compensar
por causa da morte do gato
porque eu perdi o meu ônibus
pelas mãos que evitam o tesouro
Deus há de me compensar
porque eu choro e eu sonho
pelas horas em que um mudo espanto
transborda da minha face em silêncio
e eu sigo conformado com os pássaros
Deus há de me compensar
ainda que eu faça o diabo
ainda que o mundo arrebente
em tanto rebanho de gente e de medo
Deus há de me confortar
eu cobro com multa e com juros
o preço de não ser ateu
domingo, dezembro 14, 2008
Um homem chamado André sairá hoje de casa
Iniciei um blog novo. Isso não significa o fim da "Fúria do Mar". Mas, já há algum tempo, pretendia sistematizar minhas idéias em algo mais alinhavado. O conceito do "Fúria" é de fluxo de consciência mesmo. Posto o que me dá na telha. Não raras vezes o conteúdo do texto se mistura com minha vida pessoal, o que imprime o tom de diário que eu não gosto muito. O novo blog será mais pensado embora não será raridade haver uma coincidência de textos postados.
Se minha única leitora (foi mal aí, José Teles) quiser dar um passeio por ele, está lá no "Wordpress". O http assusta: www.umhomemchamadoandresairahojedecasa.wordpress.com´
É isso.
Se minha única leitora (foi mal aí, José Teles) quiser dar um passeio por ele, está lá no "Wordpress". O http assusta: www.umhomemchamadoandresairahojedecasa.wordpress.com´
É isso.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
TREM
Se eu andasse sempre de trem, talvez mais feliz seria
pois nunca a volver, nunca a dar ré, é o modo da trilha
A paisagem sempre de uma vez, nunca repetida
pela imagem do retrovisor, invertida
Talvez mais feliz seria, se eu andasse de trem
Ao passo que o homem-automóvel, que vai de Lisboa à Sintra
terá sempre à disposição a marcha ré.
Verá o que perdeu de relance, por ser homem e possuir pouca fé
nos próprios olhos. Invertido no espelho do retrovisor, já não saberá
se veio de Lisboa ou se vai para Sintra
se seguia para vida ou prosseguia para o mar.
Mas o trem não se irmana a essas coisas. Não desperta o quiçá.
despreza o destino, os avisos de abalroamento
“Se eu casasse com a filha da lavadeira..” e, nesse momento, não estarás mais lá.
Atropela os acorrentados nos trilhos, mães, avós, pianos, segredos, a sala de estar.
Tudo de uma vez, como o vômito sincero da madrugada
Como a liberdade sagrada de uma coisa bruta e grega que não se apieda de ninguém
Eu quero ir como quem se lança a um soco
E o meu coração oco mais feliz seria, se eu andasse de trem
pois nunca a volver, nunca a dar ré, é o modo da trilha
A paisagem sempre de uma vez, nunca repetida
pela imagem do retrovisor, invertida
Talvez mais feliz seria, se eu andasse de trem
Ao passo que o homem-automóvel, que vai de Lisboa à Sintra
terá sempre à disposição a marcha ré.
Verá o que perdeu de relance, por ser homem e possuir pouca fé
nos próprios olhos. Invertido no espelho do retrovisor, já não saberá
se veio de Lisboa ou se vai para Sintra
se seguia para vida ou prosseguia para o mar.
Mas o trem não se irmana a essas coisas. Não desperta o quiçá.
despreza o destino, os avisos de abalroamento
“Se eu casasse com a filha da lavadeira..” e, nesse momento, não estarás mais lá.
Atropela os acorrentados nos trilhos, mães, avós, pianos, segredos, a sala de estar.
Tudo de uma vez, como o vômito sincero da madrugada
Como a liberdade sagrada de uma coisa bruta e grega que não se apieda de ninguém
Eu quero ir como quem se lança a um soco
E o meu coração oco mais feliz seria, se eu andasse de trem
domingo, dezembro 07, 2008
Explicação para as fotos abaixo
Eu ainda me deixo surpreender pela tecnologia. As fotos postadas logo abaixo foram tiradas pela câmera do meu celular e enviadas imediatamente para o meu blog, através de um link automático. Isso não deve ser novidade para ninguém (nem para Maria Eduarda), e usualmente o "Blog do Jamildo" utiliza a mesma tecnologia para gerar postagens em tempo real (com filmagem). Eu sou da geração um dia antes do virtual, deixo-me conquistar tanto pelo mistério insondável da flor que não se deixa colher, quanto pela descoberta tecnológica que faço, ainda que tardiamente.
PS - Para minha prima Renata que deixou de ser a menina do sorriso mais gostoso do mundo, para ser a mulher com o sorriso mais gostoso do mundo, junto a José.
PS - Para minha prima Renata que deixou de ser a menina do sorriso mais gostoso do mundo, para ser a mulher com o sorriso mais gostoso do mundo, junto a José.
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