quarta-feira, maio 03, 2006

quarta-feira, abril 12, 2006

E o tempo, cadê?

Eu queria ser mil, que nem o Mário de Andrade

sexta-feira, março 31, 2006

Volta

Volta prá cama, mulher

A estrela que era de sonho, fez-se vida e se quebrou
é melhor mentir na cama, é melhor mentir no amor
que minha cama é tua amiga, sabes onde ela vai dar
e as mentiras do meu samba nunca vão te enganar

Volta prá cama, mulher

Mais vale o amor bem feito, do que o dia a se viver
na certeza do meu leito você não vai se perder
pois o mundo é um labirinto de convites tão gentis
para ver a flor do asfalto vender a sua raiz

Volta prá cama, mulher

Hoje o mundo acorda cedo para beber da confusão
eu te ofereço o meu degredo no prazer da contra-mão
de acordar entre os meus sambas, vendo o dia se acabar
transpirando amor e medo e vento e noite e samba e mar

segunda-feira, março 13, 2006

Parabéns

A duas pessoas:

Em primeiro lugar à Maria de Fátima, pelos dois anos ao meu lado. Essa aqui é a minha cara da moeda - e ainda que a data pertença a nós dois - vou comemorá-la louvando você. Parabéns, meu amor:

"Tanto amor que há entre dois que em dois não cabe
Não cabe no mar, nas circunstâncias da terra, no clamor do soldado ferido
Não cabe em três, em mil, em número que só existe para as crianças
Não cabe no passado, no futuro, no presente, na cena final de 2001
Não cabe na carne, no espírito, no prazer do fim do dia que situa além dos dois
Não cabe na música, na pintura, na escultura, no entalhe que eu fiz quando criança
Não cabe no leite queimado, no sangue estancado, no café frio

Tanto amor que há entre dois que em nós não cabe

Não cabe no exagero, não cabe no poema..."

Em segundo lugar, a Rodrigo a quem devo tantas circunstâncias que ainda me acompanham pela vida afora. Vou lembrar dos primeiros versos de 'Tempo", uma música do "Deus e o Diabo na Terra do Som" (lembra?) que já era dedicada a você. Feliz aniversário, meu velho. Bem-vindo ao Cabo da (sempre) Boa-Esperança:

"Quando o tempo vem, não importa bem
que o pronome submeta minha voz" - (só me lembro disso :) )

quinta-feira, março 02, 2006

bebida

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Felicidade sim

Quarta, quinta, sexta e o resto do ano de cinzas. Até o próximo carnaval. Não vou falar nada porque ainda é recente a dor da terça-feira gorda que se despede cantando como faziam os fenícios. Saudade tão grande....

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Mas é carnaval, não me diga mais quem é você

Marcha de Carnaval

Na bifurcação, no fim da avenida, perdi meu bloco
E parado – entre dois caminhos – me vi apenas um
Apenas um com as circunstâncias que me acompanharam :
Oculos, sapatos, esperança e uma gaiola vazia
Apenas um, de vista a muitos, mas apenas um

Na bifurcação, no fim da avenida, parei cansado
E me vi só de braços dados com a mesma canção
Que me acompanhou nas guerras, nas glórias e nas angústias
Perdi meu bloco mas ainda estou com a mesma canção

E lançado à dúvida de dois caminhos (eu, meus óculos, sapatos e esperança)
Ficarei parado enquanto o bloco avança em um desses desvios
um ao largo de mim que não fui
Outro à margem do que fui – minha lembrança

terça-feira, fevereiro 07, 2006

As Tradições

Ao restaurante Leite





Valha-me Deus, as tradições !

Quedo caiado pelo amarelo do daguerrótipo
Como se não possuísse dantes outra cor
Dantes o azul morno que definiu minha infância
Dantes o vermelho do partido ao qual filiei minha juventude
Dantes isso que é espectro daquilo mas que não cheira a morfina
Mas resto “arrebalde” que é uma palavra antiga e que não se diz mais.

E ainda que eu tenha em mim a sede de domar coisa-nova
Vejo-me sentado à mesa reiteradamente posta
Mesura daquele garçon, que não se grafa garçom, e que serviu com a mesma mesura
ao meu avô.

Eu estou avizinhado por homens mortos –mas perpétuos
Suas histórias são contadas pelos seus bigodes e relógios de algibeira
Pelo talher de prata que um deixou cair ao pensar no tempo que não voltará
Mortos que me oferecem o charuto – e o charuto me perpetuará
( eu estarei morto)
Morto para o mundo que dura cinco segundos e que se refaz
Mundo paráfrase do mundo que havia antes
Mundo que o é por cinco segundos e que não será nunca mais

Valha –me Deus, as tradições !

Essa forma reiterada que congela o conteúdo
A mesa posta em ordem que é sub ordem universal
O terno, a gravata, o sorriso repetido
Até a desordem de nossas almas segue o mesmo ritual
E eu não estou velho, estou sempre
No hiato de mim-para-mim não cabem mais revoluções
Minha insígnia de guerra, que dantes foi o inconformismo
É hoje o suspiro: Valha-me Deus as tradições !

Eu estou encharcado pelo meu sobrenome
E quando me chamam, chamam meu ancestral
Do primeiro de mim, meu corpo é apenas um instrumento
Instrumento desse ser que é nomeado mas que nunca existiu

E quando disserem “Mussalem”, chamarão meu pai e meu avô
Até que se possa dizer o mesmo de mim, quando meu filho disser “já vou...”
Eu irei com ele, para ser a sombra em seu destino
E comigo irão, o menino, meu pai e meu avô

Eu serei perpétuo em um retrato na parede
Naquele restaurante em que se serviu ao meu avô
Servirá, o garçon, com a mesma mesura
E o daquerrótipo continuará a definir minha cor
O mundo se reparafraseará, lá fora, sendo outro mundo, outra vez
Aqui dentro a tradição conserva o mesmo mundo em nossas almas
Transformando-as em um painel de azulejo português.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Hoje

Em homenagem à Mozart escutem "A Rainha da Noite" da "Flauta Mágica", principalmente os que admiram os Maçons (Mozart expôs segredos maçons e segundo uma das lendas que cercam sua morte prematura, foi assassinado por eles). Mentira. Mas isso só torna a audição mais gostosa.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Carta para Glívio:

Amigo Glívio, esse final de semana fui a sua loja e a encontrei fechada. E o que é pior: aquelas risadas soltas que eu dei com meus amigos em noites de traspassamos o expediente comercial estavam abafadas. Não se ouviam mais. Perdi o passo de discorrer contigo sobre a permanência do vinil pelos seus ruídos e a condenação da pureza do laser (pois o puro deixemos para o paraíso, aqui convivemos com pecados saudáveis, como a gula).Perdi o sabor intuído do futuro que estava dormindo na sugestão perspicaz do amigo, sugestão para se comer a dois, como se costuma lá em casa.
Glívio, as transnacionais venceram? Como eu queria que suas ideologias tivessem vencido o meu pai naquele dia de portas cerradas, quando e onde eu não podia mais saborear a surpresa que você prepararia para nós, enquanto nos empanturrávamos de vinho (porque vinho também é comida), ao som de Billie (que hoje me permitirá chamá-la assim), no disco escolhido por você. Mas os cálculos do meu pai são imperdoáveis e, infelizmente, exatos como a maldita pureza do CD.
Mas o pior, o pior disso tudo, amigo Glívio, é que eu não tenho a menor idéia de como encontrar você, de como ligar pra você, de como dizer que a amizade é a mesma, de convida-lo para uma farra e preocuparmo-nos com isso amanhã. De dizer o quanto sua comida me ensinou.
Se você ler isso por alguma razão que desconheço, se você for trazido a esse mar dantes furioso, se você chegar nessa terra inventada pelas minhas sem-razões, manda um e-mail pra mim (amussalem@hotmail.com). Eu não sei cozinhar, mas o sabor da amizade é algo que eu gosto de temperar.

Forte abraço

André

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Margarida

Essa é Margarida. Um dia vai ser. Não tenho palavras para designar tamanha lindura. Só quem é louco por animais feito eu, tem idéia desse bicho aqui. Posted by Picasa

domingo, janeiro 08, 2006


A raz�o pela qual crian�as e gatos n�o se d�o bem... Posted by Picasa

quarta-feira, janeiro 04, 2006


adoro fotos sem qualquer enquadramento Posted by Picasa

And a happy new year Posted by Picasa

terça-feira, janeiro 03, 2006

O significado cabalístico de 2006

Há exatos 10 anos - em 1996 - entramos em estúdio eu, Rodrigo Pinto, Carlos Campello, Alexandre Moreira e Giórgio X-nofonte, na primeira de várias gravações que permeariam nossas vidas até hoje: a gravação de "Bossa".
"Bossa" foi a estréia do Confraria de Bamba (à época denominada de "Confraria de Samba", denominação modificada pela provável confusão com os então efervescentes grupos de pagode de churrascaria), um projeto gravado no Conservatório Pernambucano de Música, em um dos mais modernos estúdios de gravação da época. Éramos 1o anos mais jovens, tínhamos perspectivas nunca confirmadas mas que foram registradas em uma mesa digital de 24 canais.
A despeito de todas as falhas de gravação, a audição hodierna de "Bossa" transparece a explosão de criatividade que acorda nos 20 e poucos anos e que portávamos como cédula de identidade. Não há uma identidade nas 05 músicas de "Bossa", contrapartida da juventude tanto minha quanto de Rodrigo que impedia, através da surpresa de desvelar-se-mo-nos músicos, uma unidade tanto de composição quanto de arranjos.
Por isso mesmo a delícia de se ouvir "Bossa" 10 anos depois; seja pela voz hesitante e falha, seja pela poesia juvenil e - de certa forma - inocente que desponta na audição de cada música. "Bossa" teve uma acolhida mais favorável do que podíamos imaginar, mas nunca foi divulgada para o grande público, como cada gravação posterior do Confraria até sua última edição "Obra Aberta, Carta Fechada", que eu considero a obra mais bem acabada por nós produzida: o amor ao samba e ao frevo tradicional devidamente homenageado em três músicas dedicadas a Paulinho da Viola.
Por ironia do destino, "Obra aberta" volta ao mesmo ponto de "Bossa", quebrando com as experiências de "Confraria de Bamba", a segunda fase do projeto, gravada em 1998.
O fim mudo do Confraria retrata a minha incapacidade de dialogar com o mundo lá fora, a despeito das tentativas de divulgação das músicas empreendida por mim e Gustavo, chegando ao ponto de burlar a segurança do "Abril Pro Rock" prá entregar uma cópia de "CD" para Lenine (onde estávamos com as cabeças?). Mas talvez o silêncio seja mais permanente do que o barulho e é por isso que a despeito do desconhecimento geral de "Bossa" ela continua nos impulsionando para registrarmos - em silêncio- novas coisas (no melhor contexto de Moacir Santos) com outros nomes, mas com o mesmo espírito.
10 anos depois, vamos gravar o "Som na Caixa, Mané" e eu deixo com vocês a letra da música que abrirá o novelhonovo projeto: "Oração de Madame Satã a Santa Bárbara"

Oração de Madame Satã para Santa Bárbara


Por que será que ele samba
E me deixa bamba assim ?
E assim, sai varando a madrugada
E me deixa guardada, dentro de mim

Diz que a noite é uma criança
E que o mundo é seu lar
Diz que não sabe se volta
Nem me pede pra esperar

Não vou me importar
Se ele vai sem hora
Jogar-se aos braços do ar
Ou se ele então demora

Esse homem vou amarrar
Com um santo de Angola
Que é pro dia cedo raiar
E ele voltar-me agora

Zera a reza, a terça, mãe, irmã, Iansã
Eu fiz uma promessa, Ioruba, Nana
Ponta de Lança guarda minhas costas vãs
Com essa rosa negra

Não vou me importar
Se ele faz das horas
Um cetro pra ele reinar
Pela noite afora

Santa Bárbara há de escutar
Essa filha que ora
Pra dessa febre lhe exorcizar
E ele encontrar a aurora

Zera a reza, a terça, mãe, irmã, Iansã
Eu fiz uma promessa, Ioruba, Nana
Ponta de Lança guarda minhas costas vãs
Com essa rosa negra

segunda-feira, janeiro 02, 2006

E um cantinho de terra n´algum lugar

Ah sim, essa aí diz o mesmo, com lagostins nos dentes e se empanturrando de camarão: "Se fui pobre, não me lembro." Mas a quarta-feira de cinzas chega...ah, chega Posted by Picasa

2006 é um mar azul a ser descoberto

Se fui pobre, não me lembre até depois do carnaval. Aliás, só depois do carnaval volto a funcionar corretamente. Enquanto isso, vou na manha, devagarzinho, concretizando 2006 aos poucos, sem pressa muita, que o sufoco até o fim de 2005 foi grande. Merecido passeio de lancha em Maragogi proporcionado pelos amigos ricos. Que a riqueza - da alma, principalmente - me contamine nesse ano que chega. Posted by Picasa

quinta-feira, dezembro 22, 2005

And so it is...

Eu gostaria de terminar o ano com a foto abaixo
com a pureza do sorriso de Bebel, alheia a tantas coisas mundanas
Inevitável como a próxima geração que sorrirá e chorará tantas vezes
E que contará os anos como nós contamos os anos
E quederá mais solícita nessa época que denominamos natal
Absorta em tantos símbolos disvirtuados como o disvirtuado é o homem mesmo
Mas Bebel guarda a pureza dos que seguem o inevitável e não sabem porque
E o seu sorriso pensa as feridas do que se foi, só porque ele vale a pena:

2006 será o ano da concretude
Eu me casarei
Eu lecionarei
Eu cantarei
Eu gravarei
Eu publicarei
Eu engravidarei

Não falarei das coisas passadas porque vocês as passaram comigo
nem quero falar das coisas presentes, porque elas estão agora comigo
Falo das coisas futuras, como o horizonte puro e misterioso no sorriso de Bebel

Feliz natal a todos
Feliz 2006

sexta-feira, dezembro 16, 2005

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Pocket conto de natal

Ele havia acordado naquela noite disposto a cravar a lâmina cega no pescoço do pai. Tudo pela surra da noite anterior que quase lhe custou a vida. Ninguém daria conta da vida de um pastor naqueles dias. Mas ao se aproximar do rosto barbado do pai, ouviu uma cantilena de anjos lá fora, vindo de uma manjedoura que ficava ali perto. E deu-se uma comoção de não-sei-o-quê nele, embora não compreendesse bem a língua cantada. E viu o homem que estava deitado diante de si como algo particularmente próximo, naquilo que se convencionava a chamar de família. Recolheu a lâmina e engoliu a dor da surra se esforçando para repetir a cantilena que ouvia vinda lá de fora da manjedoura. E deu-se uma paz na casa e na cabeça do menino que seria morto pelo pai naquela mesma semana.